shiksa top 5 banda paulista
Difícil encontrar as palavras.
A noite mais subversiva e divertida do Atari. As melhores formas de
entretenimento são essas, nada de mais do mesmo... quando você sai de casa, a
surpresa e o inesperado sempre são bem vindos. Já começou logo na discotecagem.
Zanin rolando uma das faixas mais legais do Chemical Brothers (qual mesmo?) e no
meio, num encaixe mais que perfeito com os batidões do breakbeat, entra o refrão
do maior sucesso funkeiro do país: "dói, um tapinha não dói, um tapinha não
dói", um refrão que dura no máximo uns 7 segundos e causou a maior reação
coletiva que já vi numa pista de dança. Quem me conhecia olhava pra mim, uns com
cara de desaprovação, outros caindo na risada. Depois o Chemical Brothers
continou, mas na cabeça dos críticos do funk carioca (que devem ser fãs de
Chemical Brothers), o breakbeat se transformou num verdadeiro demônio que
precisava ser combatido com todas as forças: pessoas queriam entrar na cabine
para reclamar, os proprietários inclusive FORAM reclamar e por aí vai. O mais
importante: quase ninguém ficou indiferente.
Isso me lembra de uma discussão que tive na casa do carioca Fernando Paiva do
Luiza Mandou um Beijo. Todos integrantes da banda estavam presentes e nem sei
quem botou em pauta o lance do funk carioca... não vou reproduzir a discussão
aqui, mas ae Fernando, dia menos dia você ainda vai escrever a respeito.
O meu irmão Marcio, atualmente em Londres, enviou um pedido urgente: "cara, pega
pra mim no soulseek todos funk bem produzidos e me envia em CDr, porque os
batidões tão sendo super bem recebidos por aqui". Vale dizer que a música
brasileira mais vendida do momento é um funk carioca de Speed & Black Alien,
intitulado "Quem Que Cagüetou", graças a uma propaganda da Nissan. O sucesso é
tanto que uma compilação será lançada por um selo britânico e uma festa dedicada
ao estilo já está sendo produzida pelo duo Tetine (um baile funk em Londres,
huaha). Mais aqui: http://www.fotolog.net/cds_funk (fotolog mantido pelo DJ
Marlboro, esse sim um DJ de sucesso, hehe).
Zanin ainda tocou Velvet Underground, Teenage Fanclub "Like a Virgin", um
bootleg aonde a voz do Kid Vinil aparecia falando "E no Atari..." ou coisa
parecida e muito mais.
E nem falei do Shiksa ainda...
No camarim eles já estavam aprontando: trocando as roupas e botando uniforme de
mordomos e empregada doméstica de rico. O show começou com uma homenagem ao
Objeto Amarelo, mas aí vale destacar o aspecto teatral da coisa toda: os
integrantes do Shiksa são verdadeiros figuras. Um guitarrista careca e um
baixista que mistura androginia natural e visual nerd como nunca vi antes. O
baterista é o mais normal e a vocalista, com cabelos curtos, impressiona pela
belíssima voz. Daí que essa homenagem ao OA se tornou uma das coisas mais
engraçadas, com o baixista e guitarrista fazendo videokê em cima de uma base
pré-gravada num lap-top, com direito a poses, caras e bocas, microfone sendo
engolido e frases do OA sendo destacadas, como a ótima: "cem crianças dentro do
planetário, é claro que fomos todos expulsos".
E o show ainda nem tinha começado...
Pois quando começou foi foda. Exigindo uma fantástica interação com o público, a
banda, mesmo sendo desconhecida da maioria dos presentes, conseguiu manter a
pista cheia, a maioria curtindo e dando risada, outros curiosos para saber o que
iriam aprontar na música seguinte. Pois todas tinham uma surpresa, todas
surpreendiam o público. Uma hora tocaram uma música propositalmente ruim e
terminaram bruscamente. Silêncio. Até que a vocalista ordena: "aplaude".
Aplaude. Aplaude. Aplaude. E não é que todos aplaudiram? Incrível como a banda
mexia com a público. Nunca vi tamanha interatividade na pista do Atari. E em
dado momento surge uma vinheta aonde a vocalista dizia algo como "Sábado a
noite, vamos sair sábado a noite, vamos pro Atari, vamos pro Atari, quem sabe
não tem uma bandinha por lá, vamos sair desacompanhados, vamos pro Atari", para
logo em seguida mexer com o inconsciente coletivo: "Você moderdinho, óculos de
aro-preto, finge que é invisível, pensa que está invisível, mas todos estão
olhando para você" e por aí vai. A reação do público é indescritível. Vá ao
próximo show do Shiksa e veja você mesmo. Indicado para quem não aguenta mais
mesmices, tipo as cópias de Radiohead, Sonic Youth e Los Hermanos, que hoje em
dia brota aos montes na cidade. Felizmente temos exceções como Shiksa. Ou mesmo
Objeto Amarelo, Cansei de ser Sexy, Ordinária_Hit, Multiplex, Biônica, 2yummy,
Open Field Church... isso para ficar somente entre as bandas paulistas.
SP ferve.
Gilberto, não fez revisão nem releu o que escreveu.